domingo, 1 de agosto de 2010

O possível lado bom da Depressão

Estima-se que em duas décadas a depressão será a doença mais comum no mundo.

Quando estamos depressivos paramos para pensar na vida, pensamos nos problemas e nas soluções e assim nos tornamos mais autocríticos. A depressão nos chama atenção a resolução dos nossos dilemas mais profundos da mesma forma que a dor física sinaliza problemas no nosso corpo. Ela é na verdade um mal necessário.

Ao estudar as raízes evolucionistas da depressão, Andrews e Thomson (Estudiosos que defendem que a depressão é uma adaptação que chegou até nossos dias com o propósito de nos fazer pensar a fundo em nossos dilemas) focaram-se num tipo de pensamento que costuma ser comum em portadores da doença, chamando de ruminação. O nome deriva do hábito que as vacas têm de continuar mastigando por horas alimentos que já tinham engolido e voltaram do estômago. “O pensamento ruminante faz com que a pessoa pense continuamente em seus problemas”, diz a psicóloga Susan Nolen-Hoeksema, da Universidade de Yale. Até recentemente, havia um consenso científico de que a ruminação é um tipo inútil e improdutivo de pessimismo. A própria professora defende, em parte, essa idéia: “Em alguns casos a ruminação analítica leva o doente a remoer seus problemas de forma tão passiva e repetitiva que acaba ficando ainda mais deprimido”.

Uma ala da psicologia evolucionista passou recentemente a ver a questão sob um prisma bem diferente. Andrews e Thomson acreditam que a ruminação envolve afiados processos analíticos que, se bem orientados, de preferência com a ajuda de especialistas, podem ser produtivos, ainda que dolorosos. Por meio da ruminação, pessoas deprimidas tendem a quebrar um problema complexo em questões menores, com as quais é mais fácil de lidar. “Isso leva a melhores chances de resolvê-los” diz Andrews. Estudos apontam ainda que a depressão aumenta a atividade cerebral de uma área do córtex pré-frontal importante para manter a atenção. Isso contribuiria para a mente permanecer mais focada em um problema, minimizando distrações. No processo, o doente pode ter insights sobre sua vida que não seriam possíveis se estivesse são.



      Alguns sintomas da doença:
  •  Estado Deprimido: Sentir-se deprimido a maior parte do tempo;
  •  Anedônia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;
  •  Sensação de inutilidade ou culpa excessiva;
  •  Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar e concentrar-se;
  •  Fadiga ou perda de energia;
  •  Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
  •  Problemas psicomotores: agitação ou retardo psicomotor;
  •  Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar;
  •  Ideias recorrentes de morte ou suicídio.

A depressão, ou melancolia, como era citada no passado, atinge muita gente faz milênios, há menções a ela que remontam aos tempos de Aristóteles, no século 4 a.C. Mas só recentemente passou-se a aventar que a doença tenha aspectos positivos.

Segundo Allan Horwitz (co-autor do livro A Perda da Tristeza: Como a Psiquiatria Transformou Tristeza Normal em Disfunção Depressiva), é preciso separar reações depressivas, que são respostas normais a situações difíceis, dos transtornos graves de depressão. “Quadros complicados, como depressão bipolar, precisam, claro, ser tratados com cuidado especial, muitas vezes de forma multidisciplinar, combinando medicamentos e terapias.” A própria pesquisa de Andrews e Thomson focou-se em tipos leves e moderados da doença, gente que, na opinião dos dois pesquisadores acaba tomando antidepressivos sem necessidade, perdendo a chance de refletir sobre sua existência e tomar decisões que poderiam ser de grande valia. Culpa, segundo eles, da banalização no uso desses medicamentos.

No Brasil, os antidepressivos já são a quarta classe de remédios mais comercializada, atrás de anti-inflamatórios, analgésicos e contraceptivos. Em cinco anos, segundo levantamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária a venda desse tipo de medicamento cresceu 48%. Pulou de 17 milhões  de unidades vendidas em 2003 para 25,9 milhões  em 2008. Há casos de depressão mais graves em que antidepressivos são imprescindíveis. Já em situações leves o acompanhamento psicológico é, muitas vezes, suficiente para que a pessoa se restabeleça. Vale ressaltar que distinguir um quadro grave de um leve ou moderado não é tarefa fácil. Cada caso deve ser avaliado individualmente por especialistas na área.

Defender que a depressão tem seu lado bom não significa dizer que seus portadores não precisam de tratamento. Muito menos que devem sofrer indefinidamente à espera de supostos benefícios da doença. Afinal, aí reside outro grande paradoxo da evolução: mesmo quando temos consciência de que a dor pode ser útil, a urgência em escapar dela é um de nossos mais emblemáticos instintos. Portanto, seja com sessões em psicólogo, psicanálises, cada um deve procurar o tratamento adequado para aliviar o sofrimento.


Fontes: Galileu  
              Drauzio Varela

7 comentários:

  1. Há muitos médicos receitando medicamentos para depressão sem haver a real necessidade. Esses medicamentos mexem com a atividade cerebral, por isso, devem ser evitados. Só devem ser utilizados nos casos em que realmente há necessidade. É preciso que um profissional qualificado analise o grau em que a depressão se encontra, pois dependendo do grau apenas o acompanhamento psicológico pode ajudar. Os medicamentos somente são indicados em graus que oferecem risco ao paciente (suicídio, por exemplo)

    Vale ressaltar que, independentemente do grau da depressão, é essencial buscar ajuda médica.

    Gostei do Post, Dani!

    Continue assim =)
    Bjos

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  2. Obrigada Ká!

    Realmente, médicos de todas as espcialidades passam antidepressívos, absurdo. É culpa da negligência desses médicos...

    Beijos

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  3. Bem nunca pensei nesse lado bom da depressão, pra mim é algo tão difícil de se conviver que acabo nem pensando nos pontos positivos, apenas os negativos.
    Com relação a medicação, sou contra quase todo tipo de medicação, remédios para dor de cabeça, resfriado são coisas tão pequenas que não deveriam ser levadas em consideração.
    Pra mim o maior remédio está dentro de cada um, os anticorpos. Através de uma boa alimentação você pode curar doenças simples, ou não! Por isso procure um profissional.
    Não sou tão radical a ponto de não tomar caso tenha alguma doença perigosa, mas coisas pequenas isso sim sou.
    Depressão pra mim não é motivo para se intoxicar com antidepressivos até porque eles são viciantes e sinceramente não auxiliam em muita coisa, apenas dopam a cura está nos pensamentos e na maneira de conduzir a vida.
    É como droga mesmo, todo remédio é uma droga vicia seu corpo.

    Recomendo a todos verem Dr. House ele é viciado em Vicodin um remédio usado para diminuir a dor, como a morfina. Sem querer dar spoiler, mas...ele acaba sendo internado em uma clínica de reabilitação por causa de seu vicio, ele desenvolveu problemas de comportamento, mau-humor, se torna antisocial ao extremo, tem alucinações e faz qualquer coisa para manter seu vício.
    Um caso clássico em que,após, uma doença na perna e os médicos dizerem que ele teria que amputar a perna, ele desenvolveu uma depressão profunda, se isola em seu mundo não quer a ajuda de ninguém, perde sua esposa e tudo que para ele era "vida" como correr seu esporte favorito e isso o torna um viciado.
    Está repleto de casos assim na sociedade, mas que não são ouvidos.

    Vale muito a pena.
    Ótimo post.
    Beijosss

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  4. Olá amigah adorei mesmo o blog tem de td!!!
    gostei da matéria de depressão dps vou ler td bjs!!!ate amigah!!!

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  5. Algumas destas doenças a beira do exterminio,eu digo isso porque passei por muita coisa assim, mas agora estou melhor estou indo em um medico de Porto alegre , rs DR SOLON CHWARTZMANN, ELE REALMENTE ME AJUDOU MUITO.Principalmente pela discrição, e qualidade do tratamento. Se você precisa de ajuda procure por ele.
    um abraço
    da amiga que graças a este profissional tem conseguido viver normalmente.

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  6. Olá amiga que escreveu como anônimo. Que bom que você hoje você consegue viver normalmente. Por mais que a Depressão possa ter o lado bom, ela nos prejudica muito, nos deixa no "fundo do poço".
    E a terapia é uma otima maneira de trabalhar isso.
    Visite-nos mais vezes!

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  7. olá anônimo, MUITO OBRIGADA PELA DICA EU FUI A ESSE MEDICO MARAVILHOSO DR SOLON CHWARTZMANN E PARA MIHA SURPRESA ELE REALMENTE EH MUITO BOM MÉDICO, ESTOU ME TRATANDO COM ELE AGORA, OBRIGADA ANÔNIMO E ""MUIITISSIMO OBRIGADO DR SOLON CHWARTZMANN, EU JA TINHA PERDIDO AS ESPERANCÇAS, AGORA EU VIVENDO O FONE DELE EH 51 92130933
    JULIANA MOTTA

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